MINHA
Cadela, vadia, vagabunda, puta...
Termos que não acabam mais. Todos ofensivos. Extremamente ofensivos.
Qualquer mulher honesta de nossa sociedade ficaria ultrajada ao
ser tratada deste modo.
Mas não ela.
Não aquela mulher. E não por ser ou não ser o que implica em ser
quem aceita ser chamada deste modo. Mas porque tudo muda quando quem a chama
deste modo sou eu.
Ela deixa de ser do mundo e passa a ser minha. Tomo posse do que
é meu. Sempre será. E a posse se dá de forma incontrolável. Nem ela mesma
queria que eu tivesse aquele efeito sobre ela. Mas eu tenho.
E é muito pior que isso. Eu sei que tenho.
No princípio, ela ficou preocupada. Teve medo. Não sabia onde
aquilo a iria levar.
Hoje sabe. E quer sempre ser reconduzida ao ponto, ao momento,
ao lugar onde ser chamada de cadela, puta, vadia ou vagabunda nada mais é que a
expressão da verdade.
A verdade dos
desejos reprimidos, dos medos contidos, dos riscos não corridos. Mas um dia ela
tomou a decisão resoluta.
E resolveu
andar de mãos dadas com o perigo, com o frio na barriga que não quer passar,
com as pernas bambas, a boceta molhada e com o olhar sempre voltado para cima,
como criança sendo guiada para o playground das delícias que sempre a fazem
voltar para mim e me ouvir dizer: cadela, puta, vadia, vagabunda.
MINHA CADELA.
MINHA VAGABUNDA.
MINHA VADIA.
MINHA PUTA.