1 + 1 + 1
Corpos se confundiam e era difícil decifrar o início de um e o fim de outro. Duas. Um. Três.
Mãos
corriam incessantemente a pele exposta. Não havia ali pele que não estivesse
nesta condição. Nus de suas roupas, preconceitos e convenções, permitiam-se o
toque, o beijo, tudo. Permitiam-se a entrega sem limitações. Um único limite: o
prazer. Mas não um prazer qualquer. O prazer Dele. Que virava prazer delas e
novamente Dele e novamente delas e assim seguia, indefinidamente, só
aumentando, aumentando, aumentando...
Era o mais perfeito equilíbrio porque elas estavam ali por elas mesmas, porque isso lhes trazia a realização de ser quem sempre sonharam. E estavam ali por Ele também. E nesta mescla, perceberam que era um contínuo e quanto mais se entregavam e se permitiam, mais eram quem sempre quiseram ser e mais ansiavam por viver aquilo mais intensamente, e mais prazer tinham. Mais, mais e MAIS.
Queriam mais daquilo, queriam que o dia não acabasse. Dia? Mas
não era noite quando aquilo tudo começou? Dane-se o tempo lá fora, dane-se o
resto do mundo. Dane tudo aquilo que não for o que naquele momento sentiam.
Quando ele lhes disse que aquele era o dia, que outra mulher
estaria na cama com eles, fez isso separadamente, e ambas sentiram a mesma
coisa. Queriam fugir. Mas por que fugir? Medo do desconhecido? Não. Somente o
medo de admitirem que queriam aquilo também, que não eram mais santas e nem
nunca foram.
A medida que se olharam, a estranheza. Mas a familiaridade.
Sabiam uma da outra. Sabiam que era questão de tempo até viverem aquele dia e
ambas, em uma comunhão não programada, queriam muito que chegasse e finalmente
chegou.
O primeiro toque. O primeiro beijo. Os olhos Dele. Que sensação
estranha! E que sensação BOA. De fazer o proibido, mas ao mesmo tempo,
permitido. O corpo ficando quente. Os olhos mostrando que tudo se encaixava e
que agora eram plenos.