SEM AR

 

Eu adoro ser sufocada.

 

Completamente indefesa, totalmente em tuas mãos, olhando diretamente em teus olhos enquanto lentamente perco a consciência.

 

Nada é melhor do que a sensação do meu corpo ficar fora do meu controle. Meu corpo deixa de ser meu. E os olhos ficam nublados, turva minha visão enquanto tudo que enxergo começa a se mover em câmera lenta.

 

Ouço como nunca quando isso acontece. Ouço meu coração bater, ouço os ecos em minha mente, pensamentos distantes que reverberam como se suspirados na minha orelha.

 

Minhas pernas eu já não sinto. São as primeiras a ficar moles, sem controle. Parece então que meu corpo é minha mente.

 

É quando lembro do meu sexo. Curioso como em situações limites percebemos coisas que nunca nos damos conta em situações normais. Sinto cada dobra do meu sexo, cada reentrância, cada pedacinho da pele. A superfície e mais a fundo. Sinto que a umidade é enorme. Deus, estou excitada!

 


E não é uma excitação comum, é a mais intensa, a mais arrebatadora das excitações. E o ar falta. A excitação aumenta, o gozo está ali, logo ali. E também não é um gozo comum. É uma explosão. E o melhor: não pára!

 

Mas estou caindo do mundo real. O gozo provocou uma reação que me fez queimar o pouco ar que me restava e estou desmaiando. E um outro gozo se segue, e outro, e outro, e outro... E me vou. Vou nas suas mãos que impedem de retomar o ar. Me perco, me distancio da realidade e lembro da tua voz: Confie em mim.

 

E perco a consciência.

 

Não tenho idéia de como alguém pode perder a consciência enquanto goza, mas é exatamente o que acontece. Não sei onde estou, não sei quem sou eu, mas sei que acordo com você dentro de mim, acordo a beira de outro gozo.

 

Quando eu desmaiei? Quando eu me perdi? Quando acordei? Como? Quando me tornei tão tua?