PELA MANHÃ

 

Pela manhã.

A casa vazia, silêncio total.

Solidão.

Me demoro um pouco mais na cama lembrando de nossas conversas.

Em alguns minutos estou molhada me enroscando no lençol, me afogo no travesseiro.

Meu Deus! Ainda não fiz o que me pediu.

Falta vontade para fazê-lo? Talvez...

Desejo tê-lo na minha cama.

Como será dormir com alguém como você?

Penso, não teremos tempos tranqüilos assim.

Passo pelo banheiro e ligo o chuveiro. O vapor toma conta de tudo.

Vou até a geladeira... acho que não esqueci de nada!

Deito na banheira, a pedra gelada nas minhas costas, a água quente caindo na minha barriga.

Me ajeito um pouco melhor e a água caí dolorida entre minhas pernas.

Me lambuzo.

Respiro fundo e começo a me achar bonita na imagem refletida no espelho.

Sorriso. Te vejo entre o vapor.

O Senhor está aqui me olhando.

Abro mais as pernas e as apoio nas bordas da banheira.

Gostei. No espelho conheço essa parte de mim que ainda não tinha visto.

Me acaricio. Meu corpo reage.

Coloco meus dedos dentro de mim, desejando, pela primeira vez, ser mais larga.

Coloco o legume entre minhas pernas.

Me assusto com o tamanho.

Penso nas suas instruções.

Sinto o legume quente deslizando para dentro de mim.

Empurro com força. Quase ouço um possível barulho da pele rasgando.

Uma dor forte que me leva ao arrependimento...

Mais carinhos e gozo.

Contrações de prazer e meu corpo expele o intruso com força.

Choro um pouco e penso como é difícil.

Me olho no espelho, agora sou feia.

Com descaso, fecho os olhos e adormeço por uns instantes.

Sonho contigo, loucuras...

Procuro na banheira meu objeto.

Dou uma gargalhada.

É tudo muito engraçado.

Penso, não posso rir assim debochada quanto estiver com ele.

O medo sobe pelas costas.

E mais uma gargalhada explode.

Penso no castigo.. Me excito

Me aliso um pouco e novamente gozo.

Tremendo. Ainda preciso terminar isso...

Dói. Penso que não preciso te obedecer. Será?

Empurro com força, não me toco.

Me incomoda, mas me castigo pelo pensamento vil.

Mantenho o legume dentro de mim.

A respiração fica ofegante e aperto meus seios.

Acho que gosto da dor...

Imagino que logo vai ser o Senhor a colocar aquilo em mim. Talvez num lugar mais apertado e dolorido.

A idéia me excita violentamente.

Penso em me levantar, mas o corpo não obedece.

Me acomodo e me acaricio no outro lugar...

Me penetro ali também com meu dedo.

Me lembro que não estou fazendo como você mandou.

Uma raiva toma conta de mim.

Te acho prepotente demais.

Penso novamente em castigo.

Lubrifico meus dedos e dessa vez me penetro no ânus com três.

Tudo me machuca.

Os dedos, o legume.

Vem um gozo forte, agonizante.

Tiro os dedos, tiro o legume.

Me levanto. Meio tonta, prefiro me sentar.

Olho o legume no fundo da banheira,

Olho para minha mão.

Abro as pernas e examino meu corpo.

Olho e você já não está mais comigo. 

Ligo novamente o chuveiro e quero um banho que me limpe a alma.

Choro...