Desde que a internet popularizou-se o mundo mudou bastante. Uma destas muitas mudanças aconteceu em relação a forma das pessoas se relacionarem com suas fantasias e fetiches, viverem sua sexualidade.
Sempre existiu uma linha, embora nem sempre clara, que separa a fantasia da realidade. A grande diferenciação entre estes dois mundos se dava pelo fato da fantasia acontecer no plano SUBJETIVO, apenas na MENTE de quem a vivia, enquanto a realidade acontecia no plano OBJETIVO, sendo a realização de fantasias sexuais exclusividade da esfera PRIVADA da vida dos respectivos parceiros.
Isso ANTES da internet. Depois dela a fantasia de muitos passou a habitar o espaço virtual da grande rede, sem necessidade, no entanto, de chegar ao aspecto REAL, a viabilização prática destas idéias. Essa capacidade de levar a fantasia ao campo virtual, expô-la de tal modo que permite INTERAÇÃO com outras pessoas, é uma pratica que deu origem ao chamado SEXO VIRTUAL.
Virtualmente, tudo é permitido. A aparência deixa de ser importante, pois cada um pode se descrever como bem entender. A segurança do anonimato faz com que os limites praticamente não existam. O velho pode se dizer novo, o novo, dizer-se velho. Não existe mais cor, sexo, idade, forma física, lugar. TUDO, absolutamente TUDO pode ser inventando para viver-se este PERSONAGEM VIRTUAL.
Durante quanto tempo as fantasias serão apenas fantasias? Mais que isso. Até quando, só as fantasias poderão alimentar (e satisfazer...) os desejos que só aumentam e são estimulados a crescer? É neste ponto que o universo da Dominação / submissão, uma das fantasias mais recorrentes, sofre seus maiores efeitos. Basta uma pesquisa simples em um site de relacionamentos da internet (como o Orkut) para se deparar com inúmeros “praticantes” de relações assim. Donos, escravas, Lordes, Ladys, submissas, enfim, toda a sorte de personagens ali existe. Porém, quantos estão ali vivendo suas fantasias virtuais e quantos tem ali uma extensão do que já vivem na realidade concreta? É praticamente impossível saber.
Não se deve ter preconceitos de quem queira viver apenas a fantasia. Não é porque alguém NÃO QUER A REALIZAÇÃO EFETIVA de sua fantasia e se satisfaz com o VIRTUAL que esteja tendo uma atitude errada. O erro vem em dizer querer uma coisa (a realidade), quando ser quer outra (a fantasia). Erra-se ao anunciar buscar o real, quando o objetivo é o virtual.
Com toda a certeza, muitas pessoas compartilharão a fantasia virtual e é entre estas pessoas que esta deve ser vivida. E isso tem até um lado saudável, pois algumas fantasias nem sempre acontecem com base em possibilidades reais. Nem sempre o que se fantasia é SEGURO. Nem sempre o que se fantasia é POSSÍVEL. Nem sempre é SAUDÁVEL. E talvez por isso, apenas como fantasias devam permanecer tais idéias.
O problema surge, quando se confundem os diferentes objetivos das pessoas. Quando os objetivos de cada um não estão claros, comumente o que acontece são mal entendidos. Aqueles que desejam manter sua fantasia no âmbito virtual devem ter CLAREZA disso, assim como aqueles que desejam levar a realização destas fantasias para a realidade concreta.
Um diálogo sincero e verdadeiro é o que melhor cabe numa situação inicial onde não se tem ainda clareza sobre os objetivos dos envolvidos. Dizer ao outro o que se espera é tratar as pessoas com respeito, da forma como gostaríamos de ser tratados.
Dizer claramente o que se quer e o que se pretende é o caminho para viver as fantasias do modo como desejamos de forma intensa e satisfatória. Respeitar a fantasia do outro é respeitar a sua também, porque ao deixar claro que não tem qualquer pretensão de um encontro real, por exemplo, você dá ao outro a opção de aceitar ou não a sua fantasia, e ambos poderão procurar um parceiro mais adequado, se for o caso de não haver compatiblidade.