SPANKING - As Diferenças Entre Dor e Prazer

PUBLICADO NA REVISTA FETICHE SEX Nº 5 - 2007

O que é o spanking?

Para quem se depara com o spanking como atividade erótica pela primeira vez, é inevitável que surjam uma série de perguntas, de dúvidas que nem sempre são facilmente respondidas. O primeiro ponto que necessita de esclarecimento é o que é o spanking? O termo vem da língua inglesa e em livre tradução, significa espancar, o que assusta pela associação que se faz, uma vez que na língua portuguesa o verbo espancar está associado a algo intenso, forte, porém nem sempre é nestes moldes que o spanking se apresenta. O spanking pode ir da forma branda, do tapa que nem mesmo deixa vermelha a pele, até a intensidade do chicote deixando suas marcas. Mas para que fique claro, o spanking é toda atividade que consiste em bater em sua (seu) parceira(o) com um propósito erótico. Não vamos relacionar aqui os vários tipo de relações que podem ter o spanking entre suas práticas constantes, basta que se tenha em mente que o propósito do spanking é o PRAZER. Tanto de quem bate, como de quem apanha. Existe também o aspecto DISCIPLINAR do spanking, mas este é o tipo de abordagem que deverá ser feita quando de uma análise das relações BDSM, propriamente ditas.

Aspectos físicos

Uma prática claramente física, o spanking pode e deve proporcionar o prazer ao ser realizado e para que se tenha uma idéia de como isso é possível e até comum, basta olharmos para o número de referências populares do tipo “um tapinha não dói” ou “tapa de amor não dói”. Pessoas diferentes tem diferentes reações diante do spanking e como isso é possível? Simples, a diferença entre prazer e dor está na INTENSIDADE da estimulação. Como bom exemplo podemos usar os mamilos. Um toque suave, uma pressão leve, produzirá uma sensação de PRAZER, enquanto um uma estimulação mais vigorosa, intensa, um “apertão” vai causar dor, até onde, momentos antes, existia só prazer. Nosso cérebro não diferencia o prazer da dor, porque ambos são uma expressão do TATO, que é um sentindo as vezes desprezado. O que ele percebe é várias formas e diferentes intensidades de toque. O que para uns é dor, para outros é PRAZER!

Aspectos psicológicos

Psicologicamente, o spanking ganha outra dimensão. O ser humano é um animal que vive em sociedade, mas seus instintos não estão esquecidos, e em nossa vida sexual eles tem grande influência. É por isso que determinadas características da personalidade são tão valorizadas nas escolhas que fazemos em busca de um parceiro sexual. Uma mulher “fogosa” ou um homem “com pegada”, dificilmente ficarão muito tempo sozinhos. E isso não tem, necessariamente, uma relação direta com a aparência. Tem relação sim, com a necessidade instintiva que carregamos em nós de procurar o parceiro mais APTO para a reprodução, para gerar descendentes, disseminar nosso DNA. E o spanking é uma expressão de força, de dominação, uma forma de mostrar fisicamente que somos fortes e portanto, somos bons reprodutores. Por sua vez, quem está apanhando, em geral está submetido, dominado, à mercê de quem está batendo, causando uma sensação de entrega, por vezes, de humilhação. Muitas são as possibilidades em ambos os lados do chicote. Óbvio que isso não acontece em um nível consciente e a forma como processamos os sentidos e os sentimentos são particulares, com cada um tendo sua forma própria de fazer isso.

Instrumentos usados

Muitas são as formas de bater e igualmente muitos são os instrumentos. O primeiro destes instrumentos é a MÃO, que dispensa maiores apresentações. Os CHICOTES aparecem em formatos variados, existindo os mais curtos, similares aos usados em equitação (a “tiazinha” usava um assim, lembra?), os longos, popularizados em truques de precisão em circos, cortando-se papéis e de tamanhos intermediários; as PALMATÓRIAS, que já foram até instrumento educacional oficial; a CANE, uma fina haste de madeira, que produz efeitos muitas vezes sem nem mesmo tocar a pele, somente pelo som que produz ao cortar o ar, CHINELOS, CINTOS, os FLOGS (chicotes de várias tiras), além de muitos outros instrumentos inusitados como COLHERES DE PAU, ESCOVAS e o que mais a imaginação (e o SSC) permitir !

Locais e Segurança

Onde bater? Dúvida que sempre surge, assim como uma resposta. A bunda. Classicamente o alvo do spanking, não é necessário que seja o único. Onde se vai aplicar o spanking é algo que o BOM SENSO deve sempre imperar. Uma das formas que causam um efeito psicológico mais intenso, o rosto é uma área que em geral, recebe a MÃO como algoz. Os seios são extremamente sensíveis, e podem ser objeto do spanking, de forma branda. Toda superfície do corpo humano que possa ser atingida pelo spanking, deve ser estudada, levando-se em consideração o grau de exposição da área. Quanto mais tecido adiposo existir entre a pele e os ossos, mais protegida é a área. Por questões de segurança, os iniciantes devem se restringir às nádegas e às coxas. Lembre-se sempre que SEGURANÇA vem antes de tudo e este é um texto que não torna ninguém um expert, por isso, se quer ir mais longe, não tenha medo de pesquisar, perguntar, aprender. Seja curioso (a)!

Porta de entrada do mundo BDSM

Enfim, o spanking é uma atividade que pode trazer MUITO PRAZER, sim! E nem chegamos aqui a comentar sobre sadismo / masoquismo, estamos sim olhando para o spanking como uma atividade que se populariza entre as práticas sexuais das pessoas e muitas vezes é o primeiro contato que se faz com o mundo BDSM. Por isso é importante que se compreenda que toda prática que é feita de forma SÃ, SEGURA e CONSENSUAL é uma prática válida! Que nos tira do lugar comum, da rotina do sexo sempre visto da mesma forma. É preciso conversar com seu parceiro sobre o que se gosta e aceita, sem preconceitos, sem apegar-se à vergonha ou “ao que ele(a) vai pensar de mim?”. A regra é ser FELIZ e ter PRAZER, da forma que acharmos apropriada para cada um de nós ! Divirta-se!

 

Artigo de autoria do SENHOR_DO_CASTELO


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