SWITCHERS

PUBLICADO NA REVISTA FETICHE SEX Nº 6 - 2007

A primeira coisa a esclarecer é o que significa o termo SWITHCER.

Como grande parte das expressões utilizadas no universo do BDSM*, a palavra SWITCHER vem da língua inglesa, onde tem origem no termo SWITCH, que significa TROCAR, MUDAR. Switcher é uma palavra utilizada para quem (pessoa ou objeto) efetue TROCAS. Neste caso, as trocas se referem às posturas adotadas dentro da prática do BDSM. Um Switcher é uma pessoa que vivência os dois lados do chicote, podendo dominar ou ser dominado. Evidente que para que faça-se esta escolha, muitos fatores influenciam como ambiente, as pessoas que nos cercam, o momento particular da vida da pessoa, etc..

Ficando claro o que é um Switcher no contexto do BDSM, o próximo passo a ser dado é afastar a idéia ERRADA que o Switcher é um indeciso, alguém que ainda não formou sua opinião do que gosta mais. Nada mais errado do que este pensamento

BDSM existe pelo PRAZER envolvido ao pratica-lo e no caso dos Switchers, são pessoas que tem prazer em práticas de servir e ser servido, da ter o controle e ser controlado, de sentir a dor ou provoca-la.

Não existe uma OBRIGAÇÃO para que se faça uma escolha de lado. Não existe uma imposição para que a pessoa viva o BDSM em sua vida e uma vez tendo trilhado um caminho, veja-se obrigada a jamais mudar de lado. Quando alguém define-se TOP ou bottom, o faz com base em sua preferência pessoal, em seu prazer, sua forma de ter excitação e por força dos traços de sua personalidade. O que acontece é uma afinidade maior com determinado tipo de prática, de atividade, que acaba em uma definição de TOP (Dominador) ou bottom (submisso).

Portanto não há que se confundir a escolha por ser um Switcher, um praticante do BDSM de uma forma mais ampla, com um indeciso.

O BDSM institucionalizado, em clubes, bares, grupos fechados de pessoas, por vezes encara o Switcher de modo equivocado, acreditando que as pessoas que resolvem levar o BDSM como prática constante em suas vidas, devam definir claramente sua postura, ou como TOP, ou como bottom. Felizmente isso tem se tornado cada vez mais raro, tendo a tolerância feito parte da maior parte destes grupos.

Mas a cada dia que passa, a prática do BDSM deixa estes ambientes restritos e amplia-se para toda a sociedade. É cada vez mais comum a inclusão de elementos tipicamente BDSM em relações antes tradicionais. O casal que resolve comprar uma algema para “brincar” em seus momentos de intimidade, está adentrando neste mundo amplo que é o BDSM. A namorada que adora ser xingada durante o sexo, mostra ao menos uma disposição para a humilhação, uma prática comum dentro do BDSM. E nada impede que os papéis se invertam, desde que ambos estejam de acordo.

A vivência prática do BDSM na vida de um Switcher ocorre de forma separada, a maior parte das vezes. Quando ele está vivenciado seu lado TOP, afloram os instintos, os desejos e prazeres da dominação, enquanto seu lado bottom permanece em “descanso”. Nada impede que na cena seguinte, haja a alternância entre estes dois aspectos de seu prazer, porém esta transição deriva de um processo, de uma seqüência de acontecimentos e vivências e não costuma se produzir de modo instantâneo, sendo mais comum PERÍODOS de vivência de um lado de cada vez.

As relações que um Switcher pode estabelecer são variadas, justamente por sua maior quantidade de alternativas. Pode se estabelecer uma relação com outra pessoa que também seja Switcher e com isso provocar uma ALTERNÂNCIA DE PAPÉIS dentro da mesma relação. Mas não é incomum que um Switcher mantenha relacionamentos DIFERENTES, tendo simultaneamente um TOP, a quem serve e obedece, ao mesmo tempo que tem um bottom sobre seu comando, de quem tem a obediência e a dedicação. O que é mais importante aqui é que fique claro que não existem OBRIGAÇÕES que determinem que seja de uma forma ou de outra.

Como em todas as relações BDSM, a COMUNICAÇÃO é algo essencial para que um relacionamento possa se desenvolver bem. Para os Switchers mais ainda, pois relações paralelas, quando mantidas de modo clandestino, podem trazer grandes problemas aos envolvidos. Por isso, é fundamental que se converse sobre a existência (ou não) de outros relacionamentos simultâneos. Serão estas conversas abertas e sinceras que manterão a relação de uma forma que traga satisfação à todos os envolvidos. Elas também são responsáveis pelo estabelecimento da CONFIANÇA entre as pessoas que dela fazem parte, um elemento que uma vez perdido, raramente é recuperado.

Estamos falando aqui de seres humanos, pessoas com desejos, sentimentos, traumas, vivências, amigos, sociedades diferentes e por isso não há como uniformizar as definições sobre os vários modos de lidar com uma relação BDSM. No caso dos Switchers, o mais importante é que sejam percebidos em sua complexidade, com respeito e a compreensão que trata-se da maneira de cada um viver sua própria vida, deixando de lado preconceitos ou qualquer outra forma de exclusão.

A vida humana é mutável e durante nossa vivência, passamos por períodos diferentes de interesses, gostos e desejos, portanto não é incomum que o Switcher defina-se por um dos lados com maior ênfase, ou até de modo permanente, porém não existe uma obrigatoriedade que isso aconteça e não ter uma definição não é, de modo algum, sinal de indecisão ou fraqueza. Trata-se simplesmente da condição humana e de lidar da melhor forma possível com os próprios desejos.


(*)
BDSM
é uma sigla formada pela junção de vários tipos de práticas eróticas, que engloba outras três siglas:
B&D: Bondage e Disciplina
D/s (ou D&S): Dominação e Submissão
S&M: Sadismo e Masoquismo, popularmente, sadomasoquismo

 

Artigo de autoria do SENHOR_DO_CASTELO


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